The Last of Us Part I para PS5 — Análise completa

Avaliação: 4,8/5,0

Visão geral

The Last of Us Part I é uma reconstrução fiel e robusta do jogo de 2013, otimizada para o PS5. Uma experiência que une uma narrativa profundamente humana a uma apresentação técnica de primeira linha. Se você já jogou a versão de PS4/PS5 remasterizada, ainda assim há razões convincentes para revisitar este projeto: controles remodelados, melhorias substanciais no áudio, opções de desempenho, e uma interface de acessibilidade tão ampla que parece feita sob medida para cada jogador.

História e personagens

A história acompanhando Joel e Ellie permanece um dos grandes marcos do gênero. Os dilemas éticos, a Progressão gradual do vínculo entre ambos, e a ausência de maniqueísmo simplista fazem desta jornada algo que ultrapassa o entretenimento: é um estudo sobre escolhas, perda e resiliência.

O enredo flui com naturalidade entre exploração, diálogos pontuais e picos dramáticos. O capítulo “Winter” e o epílogo continuam a causar impacto. Mesmo com o conhecimento prévio do roteiro, há ainda espaço para descobertas — detalhes narrativos, olhares e gestos que ganham nova densidade no PS5.

Jogabilidade e facelift de controle

A jogabilidade padrão é uma releitura fiel. Você coleta recursos, cria items, administra munição, e alterna entre stealth e confronto direto. O sistema de laterais e "-prenda e" foi afinado, mas quem traz uma diferença clara é a reengenharia de controle presente nas opções de acessibilidade e especialmente nos “Controles Adaptativos”.

Esses controles rearranjam ações como atirar, correr, esgueirar-se e mirar em ações “toggles” mantidas. Em termos práticos, reduzem o repertório de inputs simultâneos e pemitem que jogadores com mobilidade reduzida ou fadiga se concentrem na leitura da situação. É notável que a opção não transforma o jogo em “mais fácil”, mas em “mais sustentável”. Há também modos de assistem com mira, sensibilidade ajustável, e auxiliares de aproximação.

Gráficos e tecnologia

Visualmente, o jogo se beneficia do poder do PS5. Texturas mais nítidas, sombras mais limpas e vegetação com maior densidade. O sistema de "Accurate Lighting" — quando ativo — confere um brilho natural e mais coerente ao ambiente, sacrificando a taxa de quadros para um olhar cinematográfico. Alternativamente, o modo "Performance" prioriza fluidez (ex.: 60 fps alvo).

Os detalhes — fragmentos de poeira em feixes de luz, o vapor condensado ao respirar em ambientes frios, o peso do corpo ao chutar portas — se somam para criar uma imersão tátil. O DualSense explora vibração e gatilhos com moderação, mas nos momentos certos: o impacto de uma esplopão, a tensão do fio tensionado em um arame, o retratar de uma arma.

Áudio e localização

O design sonoro é impecável. A mixagem de passos, respiração, trovões e música ambiental cria um mapa sonoro que orienta a prática. E a localização PT-BR é sólida: legendas claras, dublagem de qualidade, e opções de acessibilidade (tamanhos, fundos semi-transparentes) que facilitam a leitura.

Duração e estrutura

Uma campanha completa com Left Behind varia entre 9 e 10 horas, dependendo do estilo de jogo. Quem busca exploração pode encontrar extras e registros que ampliam a mitologia. A progressão e a curva de dificuldade se mantêm bem calibradas: desafio real sem frustração excessiva.

Acessibilidade e inclusão

O menú de acessibilidade é, por si só, um exemplo do que jogos de AAA podem oferecer. Há opções para:

  • Controle adaptativo (toggle de ações, simplificação de comandos)
  • Assistências de mira e trajetória
  • Leitura de recursos em alto contraste
  • Legendas personalizáveis, ritmo de leitura
  • Remoção de QTE em alguns segmentos
  • Modos de daltonismo e ajustes de HUD

Em linguagem simples: você molda a forma como joga para se encaixar nas suas necessidades, sem desconfigurar a intenção dos designers. Essa amplitude transforma o jogo em algo mais universal, e isso é raro e valioso.

Novidades e diferenças

Comparado à versão de PS4/PS5 (The Last of Us Remasterizado/Part I original), esta nova versão traz:

  • Controles revisados e opções adaptativas
  • Aprimoramentos de iluminação (“Accurate Lighting”)
  • UI refinada e melhorias de qualidade de vida
  • Experiência focada em single player, sem campanha online

Se você já passou por esta história, a pergunta é: vale revisitar em nome da forma? Para muitos, a resposta é afirmativa, especialmente pelo conforto de controle e pela camada adicional de acessibilidade.

Prós e contras

Prós

  • Narrativa ainda atual e poderosa
  • Presentación visual mais refinada no PS5
  • Controles adaptativos e amplo leque de acessibilidade
  • Áudio e localização em PT-BR de primeira
  • Imersão consistente (DualSense quando pertinente)

Contras

  • Preço elevado para uma “reconstrução”
  • Sem modo online/multijogador
  • Algum conteúdo secundário, em certas passagens, pode soar mais expositivo que dinâmico
  • O modo “Accurate Lighting” pode exigir ajustes de preferência para quem prioriza fluidez

Conclusão

The Last of Us Part I no PS5 é uma edição de referêencia que celebra a história sem perder de vista a inclusão e a forma. Não é apenas um “port” ou “remake”, mas uma atualização que torna a experiência mais fácil de jogar, mais bonita de ver e mais cómoda de viver.

Se você nunca vivenciou esta jornada, este é o ponto de partida ideal. Se já a conhece, a versão atual justifica um retorno pela qualidade de vida, pelos novos controles e por um visual que, sem exageros, faz justiça ao projeto original. Uma recomendação directa, com pulo de alegria.